A FALÁCIA FEMINISTA

Leitores,

Voltei! Sentiram minha falta? Pois é. Aqui vamos nós com mais do mesmo:

Vocês estão bem? Espero que sim, porque eu, pra não quebrar as regras, tô puta.

O que acontece é que ontem eu tweetei a seguinte frase:

“Homens, qual a dificuldade em chamar a moça pra jantar, só vc e ela, em um restaurante que saia por mais de 100 reais?”

Alguns homens responderam que a dificuldade eram os 100 reais.

Ok. Justo. Se o cara não tem 100 reais sobrando… Ora, ele não tem 100 reais sobrando. Esse não é o tipo de cara com o qual eu saio, porque caras que não têm 100 reais sobrando geralmente são mais novos que eu e estão saindo com meninas mais novas que eu.

Porque vocês vejam… Quando eu tinha 20 anos, as coisas eram diferentes, e eu era feliz dividindo um cachorro quente no centro de São Paulo com o meu namoradinho. Aí, quando comecei a namorar meu ex, americano, ele, que era mais duro que pau de padre em orfanato, me levou pra jantar em um restaurante super legal. Eu olhei pra aquele lugar caro e pensei: ”Gente, mas pra que isso?”, e aí prossegui falando:

- Gente, mas pra que isso?

- É pra você saber que eu gosto de você de verdade.

- Mas você tem esse dinheiro?

- Tenho, só que quando eu tô solteiro eu uso esse dinheiro pra comprar video games.

Pela primeira vez na vida eu tinha me sentido realmente especial. E foi uma das coisas mais lindas que já me aconteceu. De fato, foi tão lindo que acabei me casando com esse cara, e ele é até hoje uma das pessoas mais incríveis da minha vida. Não foi porque ele gastou mais de 100 reais, e não tinha nada a ver com dinheiro. Era o fato de que, naquele momento, eu era a coisa mais importante na vida dele. Ele não se importava em gastar, me buscar em casa, me deixar em casa, conversar horas comigo no telefone, deixar de comprar video games novos ou não ir à final do time de basquete dele pra passar uma noite fazendo coisas legais comigo.

Acontece que quando eu tweetei a frase, alguns homens se sentiram ofendidos (porque 100 reais realmente está fora da realidade deles), e algumas mulheres se sentiram ofendidas porque se focaram no lance dos 100 reais — como se eu estivesse estipulando um preço pra dar pra um cara, quando o fato é completamente diferente disso.

Leitores, eu quero romance. Eu não quero passar a noite em bares como eu fazia quando estava nos meus 20 anos. Não. Eu nunca fiz sexo com um cara que eu não gostasse de verdade, e acreditem: eu queria muito conseguir fazer isso.

Eu quero que o cara me faça gostar dele. Então sim, me busque, me leve pra jantar, gaste seu dinheiro, comente que eu sou linda, inteligente e que você está altamente impressionado, e aí me leve pra minha casa, me dê um beijo e espere até que eu entre pela porta pra ter certeza de que eu estou bem. Repita a operação até que eu entenda que você realmente gosta de mim e perceba que eu realmente gosto de você e… voilà: a gente namora.

Mas aí, amigos, veio uma das  ***feministas*** de twitter falar que quem estipula preço tem um nome. As mulheres caíram de pau em cima deste meu tweet, sempre contra-argumentando o lance do preço, de que eu estava exigindo a coisa errada do cara, de que quem é comprada é mercadoria, etc.

Welly, welly, welly, muita calma nessa hora, piriguetes do meu network! Primeiro que, modéstia a parte… 100 reais? Eu poderia cobrar mais. Muito mais. E, de fato, quando eu me prostituo no meu trabalho como roteirista, eu cobro muito mais. As pessoas me pagam, e pagam caro, porque eu sou uma das melhores na minha área. Aos 24 anos eu tinha um emprego de produtora criativa e um apartamento na Bela Vista. Nunca fiquei rica, e nem acho que vou ficar, mas meu próprio jantar de 100 reais eu pago tranquilamente. Então baixa a bola aí. Segundo que: que tipo de feminista chama mulher de puta? E que tipo de feminista acha que puta é xingamento?

Puta? Putas são seres fantásticos! Inclusive, uma das mulheres mais incríveis, generosas e lindas que conheci era uma prostituta. Quando eu estava na merda, sem ter pra onde ir, ela me deixou ficar na casa dela e cuidou de mim como minha própria mãe não faria, sem nunca exigir nada em troca. Conheci diversas putas: mulheres carentes de amor, cheias de compaixão e que, mesmo assim, são vistas como lixo pelo resto da sociedade.

Puta deveria ser elogio, porque eu não consigo ver nada com maior poder do que uma mulher que ganha a vida sendo ela mesma e passando alguns minutos com um cara. Eles pagam pela simples presença feminina delas, que supre as inseguranças deles e que os coloca, por algumas horas que seja, no topo do mundo.

Mas o Brasil ainda não aprendeu isso. E aqui nos EUA, quem paga o jantar não é motivo de argumento: eles pagam. E ponto. E fim (A não ser que ela queira pagar, claro). A mulher americana teve sua revolução na década de 70, quando conseguiu o direito ao aborto e teve seu país transformado em um dos 10 melhores países para ser mulher. A mulher do mundo desenvolvido já não tem saco pra homem com mais de 30 que mora com os pais. Ela é independente e quer um cara igualmente independente. Ela aprendeu que não vai perder tempo de bar em bar se quiser um namorado disposto a se apaixonar por ela. Por ela, eu disse. Ele se apaixona (se apaixona, eu disse) porque ela é legal, ou engraçada, ou inteligente, ou sexy, ou diferente de todas as outras que ele já conheceu. Feminismo já não é uma palavra comum no vocabulário da mulher desenvolvida, e ela não se afirma contra o machismo fazendo sexo com múltiplos caras ou dividindo a conta do restaurante, muito menos chamando outras mulheres de puta. A mulher independente faz o que ela bem entender, e isso pode ser decidir pagar a conta (por que não? Se ela curtir, acho super válido!) ou ser uma menininha romântica igual a mim quando o assunto é namorar.

Pode parecer pretensioso, e provavelmente é (porque eu sou pretensiosa), mas falta a mulher latina conhecer como o resto do mundo funciona. Existem coisas fantásticas sobre a cultura brasileira e os brasileiros em geral, mas o modo como as mulheres são tratadas não é uma delas. Talvez a mulher brasileira queira sair com um cara pro bar, pagar a conta, dar pra ele e pronto. Mas talvez elas sejam mais iguais a mim do que elas gostariam de admitir, e talvez elas, tão independentes, tão cheias de ideologia, tenham medo de assumir o lado puta, deixar o cara ser o macho alfa nessas horas, ficar no controle e, como consequência, entender que existem diferenças entre os gêneros (e entre indivíduos) e que isso não faz um gênero melhor que o outro.

A todas as solteiras! Eu tenho batom na boca e um homem mais grudado em mim do que minha calça jeans. Eu tô dançando, segurando meu copo e não poderia ligar menos para o que você pensa. Eu não preciso da sua permissão e… Eu já mencionei? Não dê atenção a ele! Porque ele teve a chance dele, e se ele gostasse de você, ele deveria ter colocado um anel no  seu dedo.

Nós, mulheres independentes, alguns nos chamam de putas… Eu digo, pra que gastar o meu quando eu posso gastar o seu? Não concorda? Bom, essa é a sua opinião, e eu sinto muito.

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O QUE É QUE O BAIANO TEM?

Hoje fui trocar o óleo do carro. 

- Oi. Preciso trocar o óleo e consertar a lanterna que queimou.

- Ok.

Passam-se 15 minutos.

- Srta. Sbaile?

- Sou eu.

- Olha… O filtro do seu ar condicionado tá sujo, essa lanterna é importada da Coreia, vai ser cara. Além do mais, seu fluído de transmissão também precisa ser trocado, sua rebimboca da parafuzeta tá coisada, seu flux capacitor deu pau, seu reator nuclear explodiu, seu Bat-Escudo quebrou e sua mãe é uma puta. Tudo isso vai sair 572 dólares.

- Ok, e se eu ignorar tudo isso e ficar só com o óleo e a lanterna?

- Aí sai por 70 dólares…

- Foi o que eu pensei. Esquece Bat-Escudo e todo resto.

- Ok. Vai demorar uma hora.

- Uma hora pra trocar um óleo e uma lanterna?

- É.

- Puta merda… Ok, vai.

Fui andando até o Starbucks, pedi um café, acendi o cigarro e entrei no facebook.

(INSIRA NOME DO MELHOR SEXO DA SUA VIDA AQUI) ESTÁ EM UM RELACIONAMENTO SÉRIO COM (INSIRA UM NOME DE MULHER).

A notificação vinha acompanhada de fotos do casal passando o verão em alguma praia de algum país de primeiro mundo. Lindos, sorridentes, felizes. 

“Essa mina poderia ter sido eu… Bom, se eu fosse um pouco mais magra, no caso” – pensei. 

Por uma série de motivos, a menina com um sorriso aberto e, muito provavelmente, a melhor vida sexual do meu facebook, não era eu. Na época, eu não quis arriscar mudar de país com ele, afinal, em um mundo de 7 bilhões, ele não poderia ser o único. Na verdade, eu nem chorei quando ele foi embora.

Comecei a lembrar do momento exato no qual ele entrou no táxi a caminho do aeroporto. Eu eu dei um abraço nele, mas a gente nem se beijou. Aí eu entrei no meu carro e dirigi até em casa ouvindo The Pixies e cantando pela estrada.

- Tem certeza que você não quer vir pra cá? – ele perguntou, uma ou duas semanas depois.

Eu? Ir pra outro país? Tentar me arrumar lá? Ter que sair atrás de visto, emprego, casa, amigos… tudo de novo? Ele tava era louco! Além do mais:

- Você tá saindo com esse cara? Sério? ESSE cara? Má ele é feio, hein, Sbaile! O que você viu nele? – a Renata perguntava, enquanto ele ia ao banheiro do bar.

- Sei lá. Ele… Eu não sei. Não sei.

Voltei a minha realidade, sentada sozinha em uma calçada de Miami, acendendo meu oitavo ou nono cigarro enquanto eu quase chorava e quase sorria.

- Alô, Renata? Sou eu, a Sbaile.

- Sbaile! E aí?

- Era porque ele preferia sair comigo ao invés de ver esportes, e porque ele me perguntava o que eu pensava sobre as coisas. E porque ele nunca ficava nervoso. Ele nunca fazia pinta de machão. Ele não ligava de parar pra pedir informação quando a gente se perdia. Na verdade, ele nem sabia dirigir. Ele sabia nada sobre basquete, carros ou super-heróis. Ele sabia absolutamente nada, zero, necas de pitibiriba sobre o mundo masculino ao qual ele pertencia. Ele nunca entrou em uma briga, ou fez musculação. Ele passou a adolescência colecionando discos e fazendo sexo. Sexo. Muito, muito sexo. O tempo todo. Pegando as menininhas do colegial pelo cabelo e falando as maiores putarias do mundo na orelha delas. E, como ele sabia sobre absolutamente tudo que as mulheres gostam, ele não precisava saber porra de nada sobre as coisas que os homens gostam. E dava pra ver. Tava na cara, Renata, digo, tava na cara dele. Aquele olhar morteiro, sempre calmo, de quem está contente com a vida que leva. Ele nunca, nem sequer uma vez, me perguntou o que eu gostava na cama. Ele não precisava. E, ainda assim, quando você olhava pra ele, ele era só um baixinho de moletom e tênis, me convidando pra passar uma tarde com ele assistindo a Troca de Famílias e comendo pizza. Mas agora já era. Eu não fui, mas também… Você iria? Porra, Renata! Sabe? Como eu ia saber? Como eu ia saber que a vida é uma eternidade de homens que não têm a mínima capacidade de dar prazer a uma mulher? Como eu ia saber que quase todo homem gosta de buceta, mas que quase nenhum gosta de mulher? Como eu ia saber que os outros não ligariam pro que eu penso, ou pro que eu faço, e muito menos pro que eu falo? Como eu ia saber que quase nenhum cara é a dama na sociedade e a puta na cama que ele era? Eu pensava que… Putz, e agora não sou eu. É ela. Poderia ter sido eu e… Nesse momento, ai… Que merda, cara! Nesse momento, eu realmente precisava que tivesse sido eu. E, por algum motivo, e é triste pensar nisso, eu tenho a impressão de que nunca vai ser eu. Eu escolhi dinheiro, carreira e todas essas besteiras que todo mundo insiste em insistir que são as coisas a ser investidas. Não são, Renata. Não são. No fim do dia, você quer chegar em casa e fazer sexo de verdade, com alguém de verdade, que tem gordurinhas de verdade, e que gosta de você de verdade. Então agora você sabe: eu via nele todas as coisas que importam, sem o ruído de todas as outras coisas tão supérfulas que tornam a vida essa frustração constante que ela é. E… e é isso, Renata. É isso.

- De que porra você tá falando, Sbaile?

- Puta merda, já deu mais de uma hora! Preciso ir buscar meu carro antes que o mecânico vá embora. Já te ligo de volta.

 

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DIÁLOGOS PSICOSOCIOTEOLÓGICOS – VERSÃO NATALINA

Leitores,

Como vocês sabem, sempre escrevo um texto detonando o natal e o ano novo. Inclusive, detonei tanto o natal e o ano novo que já não tenho mais o que xingar esse ano.

Eu não ia postar porra de nada, mas hoje me deparei com um diálogo real, de dois personagens reais: Juan, 9 anos, e Theo, 5 anos. Irmãos.

THEO: Olha o presente que eu ganhei do Papai Noel, Juan.

JUAN: Papai Noel não existe.

THEO: Eu sei, tem um diferente em cada loja. Mas se ele não existe, QUE FESTA É ESSA?

JUAN: É sobre Jesus, mas ele também não existe.

THEO: Eu hein!

JUAN: Vou comer panetone.

Leitores, um ótimo Hanukkah atrasado, um Natal sem seu tio chato te perguntando quando você vai casar, e um 2013 melhor do que 2012 mas pior do que 2014.

Com sorte, o mundo acaba essa sexta. Se não, até o ano que vem!

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PAPOS PSICOBIOFILOSÓFICOS – PARTE IV

Ele: O que você tem?

Eu: O mesmo de sempre.

Ele: Você não era assim.

Eu: Eu sei.

Ele: O que aconteceu?

Eu: Em 10 anos? Um monte de coisas, mas não sei quais delas me deixaram assim.

Ele: Você tem que encontrar algo que você curta…

Eu: Eu não curto nada. Eu odeio pessoas, e elas me odeiam. Isso é contra o instinto de grupo, e por isso eu me deprimo.

Ele: Você não era assim.

Eu: Eu sei.

Ele: Você não tem vontade de fazer nada? Tipo… Absolutamente nada?

Eu: Nada.

Ele: O que te estimulava antes?

Eu: Minha própria estupidez.

 

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NOTA

Hoje é um dia muito triste. Não pelo que aconteceu, mas por tudo que se nega a acontecer.

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NOITES DE ROMANCE – PARTE II

Eu vi você e entrei

Olhei de lado

E ouvi seu “hey”

Óculos quadrado

Alguém passa vestido em drag,

Eu menciono New York Dolls

Você responde Black Flag.

Dante em italiano

Cai bem com cappuccino

Ah, você toca piano?

Eu toco violino.

Você sentou na escada

E comentou sobre Godard

Já era madrugada

E eu precisava ir trabalhar.

Amanhã ou depois?

É, daqui um dia ou dois.

 

E era você

Aquele do primeiro poema

E agora cadê

A porra do seu telefonema?

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